sexta-feira, 31 de maio de 2013

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO JUNHO DE 2013

Domingo, 02 de junho de 2013, 09h24

Papa no Angelus: "Jesus, Pão de Deus para a humanidade"


Da Redação, com Rádio Vaticano


Neste domingo, 2, o Papa Francisco conduziu a tradicional oração mariana do Angelus. Diante de milhares de fiéis de diversas partes do mundo reunidos na Praça São Pedro e adjacências, o Santo Padre centrou sua meditação, que antecede a oração, na Eucaristia.

Partindo da passagem da multiplicação dos pães (Lc 9,11-17), o Papa observou o quanto era humano o comportamento dos discípulos, que tentam buscar uma “solução realista, que não crie problemas”, não confiando assim na Providência, capaz de garantir alimento à multidão que seguia Jesus, às margens do Lago da Galiléia.

Conforme explicou Francisco, Jesus se preocupa com a multidão faminta e cansada que o segue. Os discípulos aconselham o Mestre a ‘despedir a multidão para que busquem seu próprio alimento’ e Jesus diz a eles: ‘Vós mesmos dais de comer’. “Jesus sabe bem o que fazer, mas Ele quer envolver os discípulos, educá-los”, observou o Papa.

Francisco destacou ainda a prefiguração da Eucaristia como alimento, contida nesta passagem. O Santo Padre salientou o sentido da Eucaristia como partilha, observando que os discípulos não entenderam bem a mensagem, “foram tomados, como a multidão, pelo entusiasmo do sucesso. Mais uma vez seguiram a lógica humana e não aquela de Deus, aquela do serviço, do amor, da fé”, explicou.

Ao final, o Papa observou que a Festa de Corpus Christi, celebrada há poucos dias, recorda a necessidade de converter a fé na Providência, saber partilhar o pouco que se é e que se tem e não fechar-se nunca em si mesmo. “Peçamos a nossa Mãe Maria para nos ajudar nesta conversão, para seguir verdadeiramente, sempre mais, este Jesus que adoramos na Eucaristia”.

CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de junho de 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de concentrar-me sobre a questão do ambiente, como já tive oportunidade de fazer em diversas ocasiões. Também sugerido pelo Dia Mundial do Ambiente, promovido pelas Nações Unidas, que lança um forte apelo à necessidade de eliminar os desperdícios e a destruição de alimentos.
Quando falamos de ambiente, da criação, o meu pensamento vai às primeiras páginas da Bíblia, ao Livro de Gênesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra para que a cultivassem e a protegessem (cfr 2, 15). E me surgem as questões: O que quer dizer cultivar e cuidar da terra? Nós estamos realmente cultivando e cuidando da criação? Ou será que estamos explorando-a e negligenciando-a? O verbo “cultivar” me traz à mente o cuidado que o agricultor tem com a sua terra para que dê fruto e esse seja partilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e cuidar da criação é uma indicação de Deus dada não somente no início da história, mas a cada um de nós; é parte do seu projeto; quer dizer fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou tantas vezes que esta tarefa confiada a nós por Deus Criador requer captar o ritmo e a lógica da criação. Nós, em vez disso, somos muitas vezes guiados pela soberba do dominar, do possuir, do manipular, do explorar; não a “protegemos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito com o qual ter cuidado. Estamos perdendo a atitude de admiração, de contemplação, de escuta da criação; e assim não conseguimos mais ler aquilo que Bento XVI chama de “o ritmo da história de amor de Deus com o homem”. Porque isto acontece? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal, estamos nos afastando de Deus, não lemos os seus sinais.
Mas o “cultivar e cuidar” não compreende somente a relação entre nós e o ambiente, entre o homem e a criação, diz respeito também às relações humanas. Os Papas falaram de ecologia humana, estritamente ligada à ecologia ambiental. Nós estamos vivendo um momento de crises; vemos isso no ambiente, mas, sobretudo, no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, a pessoa humana hoje está em perigo, eis a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é somente uma questão de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja destacou isso muitas vezes; e muitos dizem: sim, é certo, é verdade… mas o sistema continua como antes, porque aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de uma finança carentes de ética. Aquilo que comanda hoje não é o homem, é o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro comanda. E Deus nosso Pai deu a tarefa de cuidar da terra não ao dinheiro, mas a nós: aos homens e mulheres, nós temos esta tarefa! Em vez disso, homens e mulheres sacrificam-se aos ídolos do lucro e do consumo: é a “cultura do descartável”. Se um computador quebra é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades, os dramas de tantas pessoas acabam por entrar na normalidade. Se em uma noite de inverno, aqui próximo na rua Ottaviano, por exemplo, morre uma pessoa, isto não é notícia. Se em tantas partes do mundo há crianças que não têm o que comer, isto não é notícia, parece normal. Não pode ser assim! No entanto essas coisas entram na normalidade: que algumas pessoas sem teto morram de frio pelas ruas não é notícia. Ao contrário, a queda de dez pontos na bolsa de valores de uma cidade constitui uma tragédia. Um que morre não é uma notícia, mas se caem dez pontos na bolsa é uma tragédia! Assim as pessoas são descartadas, como se fossem resíduos.
Esta “cultura do descartável” tende a se transformar mentalidade comum, que contagia todos. A vida humana, a pessoa não são mais consideradas como valor primário a respeitar e cuidar, especialmente se é pobre ou deficiente, se não serve ainda – como o nascituro – ou não serve mais – como o idoso. Esta cultura do descartável nos tornou insensíveis também com relação ao lixo e ao desperdício de alimento, o que é ainda mais deplorável quando em cada parte do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem fome e desnutrição. Um dia os nossos avós estiveram muito atentos para não jogar nada de comida fora. O consumismo nos induziu a acostumar-nos ao supérfluo e ao desperdício cotidiano de comida, ao qual às vezes não somos mais capazes de dar o justo valor, que vai muito além de meros parâmetros econômicos. Recordemos bem, porém, que a comida que se joga fora é como se estivesse sendo roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome! Convido todos a refletir sobre o problema da perda e do desperdício de alimento para identificar vias que, abordando seriamente tal problemática, sejam veículo de solidariedade e de partilha com os mais necessitados.
Há poucos dias, na festa de Corpus Christi, lemos a passagem do milagre dos pães: Jesus dá de comer à multidão com cinco pães e dois peixes. E a conclusão do trecho é importante: “E todos os que comeram ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços” (Lc 9, 17). Jesus pede aos discípulos que nada seja perdido: nada desperdiçado! E tem este fato das doze cestas: por que doze? O que significa? Doze é o número das tribos de Israel, representa simbolicamente todo o povo. E isto nos diz que quando a comida vem partilhada de modo igualitário, com solidariedade, ninguém é privado do necessário, cada comunidade pode satisfazer as necessidades dos mais pobres. Ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntas.
Gostaria então que levássemos todos a sério o compromisso de respeitar e cuidar da criação, de estar atento a cada pessoa, de combater a cultura do lixo e do descartável, para promover uma cultura da solidariedade e do encontro. Obrigado.






HOMILIA DO PAPA FRANCISCO JUNHO DE 2013


“Corruptos fazem muito mal à Igreja. Santos são a luz”, destaca Francisco

Missa com o Papa

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE JUNHO DE 2013, 8H41

Em homilia na Casa Santa Marta, Francisco falou sobre três “modelos de cristãos”
Da Redação, com Rádio Vaticano
Pecadores, corruptos e santos. Foi sobre este trinômio que o Papa Francisco centrou sua homilia da Missa celebrada nesta segunda-feira, 3, na Casa Santa Marta. O Santo Padre ressaltou que os corruptos fazem muito mal à Igreja porque são adoradores de si mesmos. Os santos, ao contrário, fazem muito bem: são a luz na Igreja.
A homilia foi inspirada na leitura do Evangelho que narra a parábola dos vinhadeiros maldosos, o que proporcionou ao Papa aprofundar a questão dos três “modelos de cristãos” que existem na Igreja: pecadores, corruptos e santos.
“Não precisamos falar muito dos pecadores, porque sabemos bem como são, já que todos nós o somos. Se algum de nós não se sente pecador, procure um bom ‘médico espiritual’, porque alguma coisa está errada”.
Com relação aos corruptos, Francisco os definiu citando novamente a parábola. “Ela nos fala daqueles que querem tomar conta da vinha e perderam o relacionamento com o dono dela, aquele que nos chamou com amor, que zela por nós e nos dá a liberdade. Estas pessoas se sentiram autônomas de Deus. Estes eram pecadores como todos nós, mas deram um passo avante como se fossem acostumados no pecado, que não precisassem de Deus! E como não podem negá-lo, criaram um Deus especial: eles mesmos. São os corruptos”.
Para Francisco, os corruptos são os mais perigosos para as comunidades cristãs; eles são os grandes ‘esquecidos’, os que cortaram a relação com o Senhor e se tornaram adoradores de si mesmos. “Que o Senhor nos livre de cair neste caminho de corrupção!”, disse.
E ao falar sobre os santos, o Papa lembrou que nesta segunda-feira decorrem 50 anos da morte do Papa João XXIII, “modelo de santidade”.
“Os santos obedecem ao Senhor, adoram o Senhor e nunca perderam a memória do amor com o qual o Senhor plantou a vinha. Dos santos, a Palavra de Deus nos fala como luz, ‘como aqueles que estarão diante do trono de Deus, em adoração’”.
Concluindo, o Papa pediu “a graça de nos sentirmos pecadores, de não sermos corruptos e de embocarmos o caminho da santidade”.
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FRANCISCO

O único caminho para seguir Deus é o da fidelidade, ensina Papa

Missa com Francisco

QUINTA-FEIRA, 6 DE JUNHO DE 2013, 8H55

Santo Padre falou da necessidade de procurar e destruir os “ídolos escondidos”

Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco celebrou, como de costume desde que foi eleito Papa, a Missa na Casa Santa Marta na manhã desta quinta-feira, 6. Em sua homilia, ele refletiu que a vida do ser humano é perpassada por pequenas ou grandes idolatrias, mas o caminho que leva a Deus é o da fidelidade, passa pelo amor exclusivo por Ele, conforme ensinado por Jesus. A Missa de hoje foi concelebrada com um brasileiro, o arcebispo de Curitiba, Dom MoacyrJosé Vitti.

Comentando a leitura do Evangelho, Francisco disse que a intenção do escriba provavelmente não era tão inocente quando ele se aproximou de Jesus para perguntar qual era, segundo Ele, o primeiro mandamento. A resposta de Jesus, “o Senhor é o nosso Deus”, diz, segundo Francisco, que não é suficiente dizer acreditar em Deus, mas é preciso viver isso e não ter outras divindades. “Existe o risco da idolatria!”, disse.

O único caminho para seguir Deus é o da fidelidade, ensina Papa
Dom MoacyrJosé Vitti (esq. da foto) foi um dos concelebrantes na Missa desta manhã, 6, com o Papa Francisco. Foto: L’Osservatore Romano/Rádio Vaticano
O Santo Padre explicou que essa idolatria é sutil, que todos têm “ídolos escondidos”, mas é necessário procurá-los e destruí-los, porque o único caminho para seguir Deus é o da fidelidade.
“Os ídolos escondidos fazem com que nós não sejamos fiéis no amor. O caminho para seguir avante no Reino de Deus é um caminho de fidelidade que se assemelha ao amor nupcial”.
Francisco concluiu dizendo ser necessário confiar em Cristo, que é fidelidade plena e tem muito amor por todos. “Hoje, podemos pedir a Jesus: ‘Senhor, você é tão bom, ensina-me o caminho para estar sempre perto de Deus e afastar sempre todos os ídolos. É difícil, mas temos que começar, porque eles nos tornam inimigos de Deus
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Homilia de Francisco na solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Na Missa desta manhã, Papa disse que devemos deixar-nos amar pelo Senhor

Atualizado em 07/06/2013 às 08h55


Foto: Rádio Vaticano
Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus: este foi o convite feito pelo Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

Na homilia, o Pontífice repetiu várias vezes que Jesus nos amou não tanto com as palavras, mas com as obras e com a sua vida. A solenidade de hoje, disse, é “a festa do amor”, de um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio, “se manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo “mais dar do que receber”. “Esses dois critérios – evidencia o Papa – são como os pilares do verdadeiro amor” de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato, mas que se manifesta por cada um de nós:

“Um Deus que se faz próximo por amor, caminha com seu povo e esse caminhar chega a um ponto inimaginável. E isto é proximidade: o pastor próximo do seu rebanho, de suas ovelhas”.

Citando um trecho do Livro do Profeta Ezequiel, o Papa evidencia outro aspecto do amor de Deus: o cuidado pela ovelha perdida e por aquela ferida e doente:

“Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus”.

Francisco explica ainda que este amor deve fazer-se próximo do outro, deve ser como o do bom samaritano”. Mas é possível retribuir todo este amor ao Senhor?

“Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele. Talvez isso é o que devemos pedir hoje na Missa: ‘Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e tenro!’. Que o Senhor no dê esta graça!”

Fonte: Rádio Vaticano
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

HOMÍLIA PAPA FRANCISCO 23 DE ABRIL A 31 DE MAIO DE 2013

Homilia do Papa Francisco


HOMILIA
Santa Missa com os Cardeais residentes em Roma por ocasião da 
Festa de São Jorge
Capela Paulina do Palácio Apostólico
Terça-feira, 23 de abril de 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Agradeço Sua Eminência, o senhor Cardeal Decano, pelas palavras: muito obrigado, Eminência, obrigado.
Agradeço também a vós que quiseram vir hoje. Obrigado! Porque eu me sinto bem acolhido por vós. Obrigado! Sinto-me bem convosco, isso me agrada.
A primeira leitura de hoje me faz pensar que, propriamente no momento no qual surge a perseguição, surge a missionariedade da Igreja. E estes cristãos tinham chegado a Fenícia, Chipre e a Antioquia, e proclamavam a Palavra (cfr At 11,19). Tinham este fervor apostólico em seu interior; e a fé é difundida assim! Algumas pessoas de Chipre e de Cirene – não estes, mas outros que estavam se tornando cristãos – reunidos em Antioquia, começaram a falar também aos Gregos (cfr At 11,20). É um passo a mais. E a Igreja vai adiante, assim. De quem é esta iniciativa de falar aos Gregos, o que não se entendia, porque se pregava somente aos Judeus? É o Espírito Santo, Aquele que levava sempre mais, mais e mais, sempre.
Mas em Jerusalém, alguns, quando ouviram isto, ficaram um pouco nervosos e enviaram uma Visita apostólica, enviaram Barnabé (cfr At 11,22). Talvez, com um pouco de senso de humorismo, podemos dizer que este seja o início teológico da Congregação para a Doutrina da Fé: esta Visita apostólica de Barnabé. Ele observou e viu que as coisas iam bem (cfr At 11,23). E a Igreja assim é mais Mãe, Mãe de mais filhos, de muitos filhos: transforma-se Mãe, Mãe, Mãe sempre mais, Mãe que nos dá a fé, Mãe que nos dá a identidade. Mas a identidade cristã não é uma carteira de identidade. A identidade cristã é uma pertença à Igreja, à Igreja Mãe, porque encontrar Jesus fora da Igreja não é possível. O grande Paulo VI dizia: é uma dicotomia absurda querer viver com Jesus sem a Igreja, seguir Jesus fora da Igreja, amar Jesus sem a Igreja (cfr Esort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). E aquela Igreja Mãe que nos doa Jesus nos doa a identidade que não é somente um selo: é uma pertença. Identidade significa pertença. A pertença à Igreja: isto é belo!
A terceira ideia que me vem em mente – a primeira: foi irrompida a missionariedade; a segunda: a Igreja Mãe – é que quando Barnabé viu aquela multidão – diz o texto: “E uma multidão considerável uniu-se ao Senhor” (At 11,24) – quando viu aquela multidão, teve alegria. “Quando ele chegou e viu a graça de Deus, alegrou-se” (At 11, 23). É a alegria própria da evangelização. É, como dizia Paulo VI, “a doce e consoladora alegria de evangelizar” (cfr Esort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). E esta alegria começa com uma perseguição, com uma grande tristeza, e termina com a alegria. E assim a Igreja segue adiante, como diz um Santo, entre as perseguições do mundo e as consolações do Senhor (cfr S. Agostinho, De Civitate Dei, 18,51,2: PL 41, 614). Assim é a vida da Igreja. Se quisermos caminhar na estrada mundana, negociando com o mundo – como queriam fazer os Macabeus, que eram tentados naquele tempo – nunca teremos a consolação do Senhor. E se nós procurarmos somente a consolação, será uma consolação superficial, não aquela do Senhor, será uma consolação humana. A Igreja vai sempre entre a Cruz e a Ressurreição, entre as perseguições e as consolações do Senhor. E este é o caminho: quem vai por esta estrada não se engana.
Pensemos hoje na missionariedade da Igreja: estes discípulos que saíram de si para ir, e também aqueles que tiveram a coragem de anunciar Jesus aos Gregos, algo naquela época escandaloso, quase (cfr At 11,19-20). Pensemos na Mãe Igreja que cresce, cresce com novos filhos, aos quais dá a identidade da fé, porque não se pode acreditar em Jesus sem a Igreja. Disse-o o próprio Jesus no Evangelho: Mas vós não acrediteis, porque não fazeis parte das minhas ovelhas (cfr Gv 10,26). Se não somos “ovelhas de Jesus”, a fé não vem; é uma fé como água de rosa, uma fé sem substância. E pensemos na consolação que teve Barnabé, que é propriamente “a doce e consoladora alegria de evangelizar”. E peçamos ao Senhor esta parresia, este fervor apostólico, que nos impulsiona a seguir em frente, todos nós: adiante! Adiante, levando o nome de Jesus no seio da Santa Mãe Igreja, como dizia Santo Inácio, hierárquica e católica. Assim seja.
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HOMILIA
Santa Missa celebrada pelo Santo Padre com o rito da Confirmação
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 28 de abril de 2013
Boletim da Santa Sé
Amados irmãos e irmãs!
Queridos crismandos! Bem-vindos!
Gostaria de vos propor três pensamentos, simples e breves, para a vossa reflexão.
1. Na Segunda Leitura, ouvimos a estupenda visão de São João: um novo céu e uma nova terra e, em seguida, a Cidade Santa que desce de junto de Deus. Tudo é novo, transformado em bondade, em beleza, em verdade; não há mais lamento, nem luto… Tal é a ação do Espírito Santo: Ele traz-nos a novidade de Deus; vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos. O Espírito transforma-nos! E a visão de São João lembra-nos que todos nós estamos a caminho para a Jerusalém celeste, a novidade definitiva para nós e para toda a realidade, o dia feliz em que poderemos ver o rosto do Senhor – aquele rosto maravilhoso, tão belo do Senhor Jesus –, poderemos estar para sempre com Ele, no seu amor.
! Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá. Como seria belo se cada um de vós pudesse, ao fim do dia, dizer: Hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, realizei um gesto de amor por um colega meu, pelos meus pais, por um idoso. Como seria belo!
2. O segundo pensamento: na Primeira Leitura, Paulo e Barnabé afirmam que «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus» (Act 14, 22). O caminho da Igreja e também o nosso caminho pessoal de cristãos não são sempre fáceis, encontramos dificuldades, tribulações. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas zonas sombrias, os nossos comportamentos em desacordo com Deus e lave os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo, e dentro de nós, no coração. Mas, as dificuldades, as tribulações fazem parte da estrada para chegar à glória de Deus, como sucedeu com Jesus que foi glorificado na Cruz; aquelas sempre as encontraremos na vida. Não desanimeis! Para vencer estas tribulações, temos a força do Espírito Santo.
3. E passo ao último ponto. É um convite que dirijo a todos, mas especialmente a vós, crismandos e crismandas: permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam meter-nos medo, se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade com Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida. Isto é verdade mesmo, e sobretudo, quando nos sentimos pobres, fracos, pecadores, porque Deus proporciona força à nossa fraqueza, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado. O Senhor é tão misericordioso! Se vamos ter com Ele, sempre nos perdoa. Tenhamos confiança na ação de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!
Novidade de Deus, tribulação na vida, firmes no Senhor. Queridos amigos, abramos de par em par a porta da nossa vida à novidade de Deus que nos dá o Espírito Santo, para que nos transforme, nos torne fortes nas tribulações, reforce a nossa união com o Senhor, o nosso permanecer firmes n’Ele: aqui está a verdadeira alegria.. Assim seja.

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"Sociedade que não oferece trabalho ou explora os trabalhadores é injusta"

Homilia do Papa Francisco na Domus Sanctae Marthae, 1° de maio de 2013

Cidade do Vaticano,  (Zenit.org) | 374 visitas

“A sociedade não é justa se não oferece a todos um trabalho ou explora os trabalhadores”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na manhã de ontem, 1º de maio, na missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta, por ocasião da Festa de São José Operário. Estavam presentes alguns menores e jovens mães, hóspedes do Centro de Solidariedade “Il Ponte", criado em Civitavecchia em 1979, acompanhados pelo Presidente da associação, Padre Egidio Smacchia.
No Evangelho proposto pela Liturgia, Jesus é chamado ‘filho do carpinteiro’. José era um trabalhador e Jesus aprendeu a trabalhar com ele. Na primeira leitura lê-se que Deus trabalha para criar o mundo. Este “ícone de Deus trabalhador – afirma o Papa – nos diz que o trabalho é algo que vai além de simplesmente ganhar o pão”:
O trabalho nos dá dignidade. Quem trabalha é digno, tem uma dignidade especial, uma dignidade de pessoa: o homem e a mulher que trabalham são dignos. Ao invés disto, aqueles que não trabalham não têm esta dignidade. Mas muitos são aqueles que querem trabalhar e não podem. Isto é um peso na nossa consciência, porque quando a sociedade é organizada desta maneira, onde nem todos têm a possibilidade de trabalhar, de serem elevados pela dignidade do trabalho, esta sociedade não está bem, não é justa. Vai contra o próprio Deus, que quis que a nossa dignidade começasse daqui”.
“A dignidade – prosseguiu o Papa – não é o poder, o dinheiro, a cultura que nos dá. Não! .... A dignidade nos dá o trabalho!” e um trabalho digno, porque hoje muitos “sistemas sociais, políticos e econômicos fizeram uma escolha que significa explorar a pessoa”:
“Não pagar aquilo que é justo, não dar trabalho, porque somente se olha aos balanços, aos balanços da empresa; somente se olha para o quanto eu posso aproveitar. Isto vai contra Deus. Quantas vezes – tantas vezes -, lemos isto no ‘L’Osservatore Romano’…. Uma manchete que me tocou muito, o dia da tragédia de Bangladesh, ‘Viver com 38 euros ao mês’: este era o pagamento destas pessoas que morreram....E isto se chama ‘trabalho escravo!’. E hoje no mundo existe esta escravidão que se faz com o que Deus deu ao homem de mais belo: a capacidade de criar, de trabalhar, de construir com isto a própria dignidade. Quantos irmãos e irmãs no mundo estão nesta situação por culpa destes comportamentos econômicos, sociais, políticos e assim por diante...”
O Papa cita um rabino da Idade Média que contava à sua comunidade hebraica sobre os acontecimentos da Torre de Babel: naquele tempo, os tijolos eram muito importantes:
Quando um tijolo, por algum erro caía, era um grande problema, um escândalo: ‘Mas olha o que você fez!’. Mas se um daqueles que construía a torre caía: ‘Requiescat in pace!’ e o deixavam ali na maior tranquilidade.....Era mais importante o tijolo que a pessoa. Isto contava aquele rabino medieval e isto acontece hoje. As pessoas são menos importantes que as coisas que dão vantagens àqueles que tem o poder políticos, social, econômico. A que ponto chegamos? Ao ponto que não estamos conscientes desta dignidade da pessoa; esta dignidade do trabalho. Mas hoje a figura de São José, de Jesus, de Deus, que trabalham – este é o nosso modelo – nos ensinam o caminho para andar em direção à dignidade”.
(Fonte: Radio Vaticano)
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Missa na Casa Santa Marta





Francisco destacou que rezar pela Igreja é um ato de fé que a faz crescer
Da Redação, com Rádio Vaticano
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“Confiar a Igreja ao Senhor é uma oração que a faz crescer. É também um ato de fé” (Foto: news.va)
Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, 30, e colocou no centro de suas reflexões a Igreja. O Santo Padre exortou todos os fiéis a rezarem por ela, a confiarem-na ao Senhor, pois isso é um ato de fé que a faz crescer.
Francisco destacou o ato de entrega da Igreja ao Senhor, exortando todos à oração. “Nós rezamos pela Igreja, mas por toda a Igreja? Pelos nossos irmãos que não conhecemos em todo o mundo? É a Igreja do Senhor e nós, na nossa oração, dizemos ao Senhor: Senhor, protege a tua Igreja… Ela é Tua. A tua Igreja são os nossos irmãos. Esta é uma oração que nós devemos fazer do coração, sempre mais “.
O Papa lembrou que é fácil rezar para pedir uma graça ao Senhor ou para agradecer-Lhe, mas é fundamental rezar por todos. “Confiar a Igreja ao Senhor é uma oração que a faz crescer. É também um ato de fé. Nós não temos poder, somos pobres servidores – todos – da Igreja. Ele pode levá-la adiante, protegê-la e fazê-la crescer, defendê-la de quem quer que a Igreja se torne mundana. Este é o maior perigo!”.
Quando a Igreja se torna mundana, quando tem dentro de si aquela paz que não é a do Senhor, o Papa explicou que ela enfraquece, é uma Igreja que será derrotada e incapaz de levar o Evangelho. Por isso, Francisco enfatizou a importância de entregar-se ao Senhor e confiar a Ele a Sua Igreja, os idosos, os doentes, as crianças, os jovens.
“Fazer esta oração de entrega pela Igreja – concluiu o Papa– nos fará bem e fará bem à Igreja. Dará grande paz a nós e grande paz a Ela, não nos tirará das tribulações, mas nos fará fortes nas tribulações”.
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Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo

Homilia do Santo Padre Francisco na Solenidade de Pentecostes com os Movimentos Eclesiais

Cidade do Vaticano,  (Zenit.org) | 802 visitas

SOLENIDADE DE PENTECOSTES
SANTA MISSA COM OS MOVIMENTOS ECLESIAIS
HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO
Praça de São Pedro
Domingo, 19 de Maio de 2013
Amados irmãos e irmãs,
Neste dia, contemplamos e revivemos na liturgia a efusão do Espírito Santo realizada por Cristo ressuscitado sobre a sua Igreja; um evento de graça que encheu o Cenáculo de Jerusalém para se estender ao mundo inteiro.
Então que aconteceu naquele dia tão distante de nós e, ao mesmo tempo, tão perto que alcança o íntimo do nosso coração? São Lucas dá-nos a resposta na passagem dos Actos dos Apóstolosque ouvimos (2, 1-11). O evangelista leva-nos a Jerusalém, ao andar superior da casa onde se reuniram os Apóstolos. A primeira coisa que chama a nossa atenção é o rombo improviso que vem do céu, «comparável ao de forte rajada de vento», e enche a casa; depois, as «línguas à maneira de fogo» que se iam dividindo e pousavam sobre cada um dos Apóstolos. Rombo e línguas de fogo são sinais claros e concretos, que tocam os Apóstolos não só externamente mas também no seu íntimo: na mente e no coração. Em consequência, «todos ficaram cheios do Espírito Santo», que esparge seu dinamismo irresistível com efeitos surpreendentes: «começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem». Abre-se então diante de nós um cenário totalmente inesperado: acorre uma grande multidão e fica muito admirada, porque cada qual ouve os Apóstolos a falarem na própria língua. É uma coisa nova, experimentada por todos e que nunca tinha sucedido antes: «Ouvimo-los falar nas nossas línguas». E de que falam? «Das grandes obras de Deus».
À luz deste texto dos Actos, quereria reflectir sobre três palavras relacionadas com a acção do Espírito: novidade, harmonia e missão.
1. A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós a construir, programar, projectar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança, deixando que o Espírito Santo seja a alma, o guia da nossa vida, em todas as decisões; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes. Mas, em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidade– Deus traz sempre novidade - , transforma e pede para confiar totalmente n’Ele: Noé construiu uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se; Abraão deixa a sua terra, tendo na mão apenas uma promessa; Moisés enfrenta o poder do Faraó e guia o povo para a liberdade; os Apóstolos, antes temerosos e trancados no Cenáculo, saem corajosamente para anunciar o Evangelho. Não se trata de seguir a novidade pela novidade, a busca de coisas novas para se vencer o tédio, como sucede muitas vezes no nosso tempo. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem. Perguntemo-nos hoje a nós mesmos: Permanecemos abertos às «surpresas de Deus»? Ou fechamo-nos, com medo, à novidade do Espírito Santo? Mostramo-nos corajosos para seguir as novas estradas que a novidade de Deus nos oferece, ou pomo-nos à defesa fechando-nos em estruturas caducas que perderam a capacidade de acolhimento? Far-nos-á bem pormo-nos estas perguntas durante todo o dia.
2. Segundo pensamento: à primeira vista o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, porque traz a diversidade dos carismas, dos dons. Mas não; sob a sua acção, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia. Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo. Um dos Padres da Igreja usa uma expressão de que gosto muito: o Espírito Santo «ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Também aqui, quando somos nós a querer fazer a diversidade fechando-nos nos nossos particularismos, nos nossos exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos desígnios humanos, acabamos por trazer a uniformidade, a homogeneização. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. O caminhar juntos na Igreja, guiados pelos Pastores – que para isso têm um carisma e ministério especial – é sinal da acção do Espírito Santo; uma característica fundamental para cada cristão, cada comunidade, cada movimento é a eclesialidade. É a Igreja que me traz Cristo e me leva a Cristo; os caminhos paralelos são muito perigosos! Quando alguém se aventura ultrapassando (proagon) a doutrina e a Comunidade eclesial – diz o apóstolo João na sua Segunda Carta - e deixa de permanecer nelas, não está unido ao Deus de Jesus Cristo (cf. 2 Jo 1, 9). Por isso perguntemo-nos: Estou aberto à harmonia do Espírito Santo, superando todo o exclusivismo? Deixo-me guiar por Ele, vivendo na Igreja e com a Igreja?
3. O último ponto. Diziam os teólogos antigos: a alma é uma espécie de barca à vela; o Espírito Santo é o vento que sopra na vela, impelindo-a para a frente; os impulsos e incentivos do vento são os dons do Espírito. Sem o seu incentivo, sem a sua graça, não vamos para a frente. O Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo. O Espírito Santo é a alma da missão. O sucedido em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um facto distante de nós, mas um facto que nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós. O Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém é o início, um início que se prolonga. O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos. Como ouvimos no Evangelho, Jesus diz: «Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco» (Jo 14, 16). É o Espírito Paráclito, o «Consolador», que dá a coragem de levar o Evangelho pelas estradas do mundo! O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão. Recordemos hoje estas três palavras: novidade, harmonia, missão.
A liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja com Jesus eleva ao Pai, para que renove a efusão do Espírito Santo. Cada um de nós, cada grupo, cada movimento, na harmonia da Igreja, se dirija ao Pai pedindo este dom. Também hoje, como no dia do seu nascimento, a Igreja invoca juntamente com Maria: «Veni Sancte Spiritus… – Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor»! Amen.
© Copyright 2013 - Libreria Editrice Vaticana

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Papa Francisco: quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé


Na missa desta manhã na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco reflectiu na sua homilia, através do Evangelho do dia, sobre a abertura e disponibilidade que devemos ter enquanto crentes, em particular os sacerdotes, enquanto facilitadores da fé.
No Evangelho Cristo chama a atenção dos discípulos para o facto de estes estarem a afastar as crianças que as pessoas levavam para o Senhor as abençoar. Jesus tocava em todos, a todos recebia e abraçava. E o Santo Padre até contou uma pequena história:“Recordo que uma vez, saindo da cidade de Salta, no dia da Festa do Padroeiro, estava uma senhora que pedia a um padre uma bênção. Este disse-lhe que ela já tinha estado na missa e, então, explicou-lhe toda a teologia da bênção existente na missa. Ela respondeu: Ah muito obrigado.
O padre foi-se embora e ela dirigiu-se logo a outro padre para lhe pedir uma bênção, pois, ela tinha outra necessidade a de ser tocada pelo Senhor. Esta é a fé que encontramos sempre e esta fé é suscitada pelo Espírito Santo. Nós devemos facilitá-la, fazê-la crescer, ajudá-la a crescer.”O Papa citou depois o episódio do cego de Jericó que gritava por Jesus.
E as pessoas não queriam que ele gritasse pois ia contra o as normas, as regras, enfim o protocolo. E recordou que quantas vezes quando numa paróquia as pessoas são acolhidas friamente , mesmo por leigos, em muitos casos quase tecnicamente, sem que suscite a quem acolhe uma reacção de alegria perante um irmão na fé que ali se apresenta para celebrar um baptismo, um matrimónio ou fazer uma inscrição na catequese. Apropriamo-nos um pouco do Senhor e os outros que sigam as nossas regras… O Santo Padre a terminar deu um outros exemplo:“ Pensai numa mãe-solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero baptizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta rapariga que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo!
Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral.”  

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Corpus Christi




“Deus não deixa de nos surpreender. Ele se faz próximo, Ele se dá na Eucaristia, o verdadeiro alimento que sustenta a nossa vida.”
Kelen Galvan
Da Redação

Roma,  (Zenit.orgSergio Mora | 202 visitas

A festividade e procissão do Corpus Christi também aconteceu ontem em Roma. É a primeira do papa Francisco, que, depois da missa na Basílica de São João encabeçou a procissão do Corpus Christi até a Basílica de Santa Maria Maior. Ao contrário dos seus antecessores, que estavam no veículo que levava o ostensório, o Papa Francisco fez o percurso a pé, caminhando atrás da Custódia.
Os milhares de fieis reunidos na praça de São João de Latrão, na frente da basílica que tem o mesmo nome, aguardavam o início da celebração rezando o santo terço e cantaram o Salve Regina. A Eucaristia foi do lado de fora da basílica, para permitir a presença da multidão.
A solenidade chamada de Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, é uma das principais do ano litúrgico da Igreja católica e se celebra nove dias depois de Pentecostes. Originou-se na Bélgica em 1247, para reafirmar a presença de Cristo na Eucaristia por causa da tese negacionista de Berengário de Tours, que dizia que a presença de Jesus era meramente simbólica. Em 1264, o Papa Urbano IV estendeu a solenidade para toda a cristandade com a bula Transiturus de hoc mundo. E com o papa Nicolau V, em 1447 começa a procissão pelas ruas de Roma.
São João de Latrão é a catedral de Roma e a sede do bispo desta cidade, que é o Papa, e encabeça essa procissão enquanto é o bispo de Roma.
"Esta noite - disse o Santo Padre, dirigindo-se aos fiéis presentes – nós somos a multidão do evangelho, também nós procuramos seguir Jesus, para escutá-lo, para entrar em comunhão com Ele na eucaristia, para acompanhá-lo e para que nos acompanhe”.
"E diante da necessidade da multidão – lembrou o papa – a solução dos discípulos era ‘cada um pense em si mesmo’ e dispersar a multidão”.  E lamentou: "Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação! Não cuidamos das necessidades dos outros e os dispensamos com um piedoso ‘Boa sorte’”. E pediu “para ser instrumentos de comunhão, para compartilhar com Ele e com nosso próximo o que nós somos. Então – concluiu o pontífice – nossa existência será verdadeiramente fecunda”.
Depois da missa, a procissão saiu de ‘São João de Latrão’ e foi pela avenida Merulana, uma antiga avenida, até a basílica de ‘Santa Maria Maior’. Durante o percurso de aproximadamente 1,3 Km vários grupos, associações e confrarias acompanharam a procissão, com grande variedade de bandeiras, símbolos e hábitos religiosos, dos Cavaleiros da Ordem de Malta, aos escoteiros, passando pelos Arautos o Evangelho e um grupo da Irmandade do Senhor dos Milagres do Perú.
Também participava da manifestação o numeroso público localizado nas calçadas ao longo do caminho, atrás das barreiras de proteção, muitos deles com velas acesas.
O papa Francisco acompanhou em oração o Santíssimo sacramento que estava exposto num ostensório, seguido pelo cardeal vigário Agostino Vallini, os cardeais, os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e os milhares de fieis que participaram.
Depois de chegar na Basílica de Santa Maria Maior, o santo padre deu a benção eucarística concluindo assim a procissão do Corpus Christi.
A procissão teve períodos de ausência, como o período de 63 anos desde a queda de Roma, na unificação italiana, até 1933, quando Pio XI a recomeçou. Depois foi descontinuada e o papa João Paulo II, que devido ao regime comunista na Polônia não a podia realizar, não aceitou a ideia de que numa cidade como Roma se tivesse perdido a tradição e revitalizou-a em 1979 apesar do ceticismo daqueles que consideravam que já não era possível fazê-la. As primeiras foram com poucas pessoas, e aos poucos foi aumentando até hoje, que já são milhares os que participam.
O arcebispo emérito de Czestochowa, Stanislaw Nowak, lembrou em uma entrevista concedida a ZENIT que, quando "o então cardeal Karol Wojtyla foi eleito papa, renovando e celebrando a primeira procissão em Roma, ao mesmo tempo as autoridades comunistas da Polônia concederam a autorização para que a procissão do Corpus Domini voltasse à praça principal de Cracóvia. E isso para nós foi uma grande alegria”. http://www.zenit.org/it/articles/giovanni-paolo-ii-e-il-corpus-domini
(Tradução do original espanhol por Thácio Siqueira)