sábado, 31 de agosto de 2013

DIRETÓRIO DA CATEQUESE DOCUMENTOS 84 DA CNBB – CAPÍTULO II

DOCUMENTOS DA CNBB – 84 
Capítulo 2
A CAtequese nA missão 
evAngelizAdorA dA igrejA
“ide pelo mundo inteiro e anunciai 
a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16,15).
1. Fé e sentido da vida
15. Em nossa existência, procuramos o sentido da vida. 
O que significa ser pessoa humana, viver muitos ou 
poucos anos? O que estamos fazendo aqui? De onde 
viemos? para onde vamos? Essas e outras perguntas 
existenciais são um ponto de partida e de contínua 
referência na catequese. Da capacidade de levar 
em conta essas perguntas depende a relevância da 
catequese para as pessoas às quais se destina. A 
busca de Deus na história da humanidade se enraí-
za nas perguntas que as pessoas fazem quando se 
inquietam sobre a vida, o mundo. A fé cristã nos faz 
reconhecer um propósito na existência: não somos 
frutos do acaso, fazemos parte de uma história que 
se desenrola sob o olhar amoroso de Deus.
16. É algo de extraordinário o fato de Deus,
 transcendente e onipotente, querer comunicar-se 
comos seres humanos. De muitas maneiras Ele, no 
passado, falou a nossos pais na fé. De um modo 
perfeito e definitivo revelou­se plenamente em Jesus 
Cristo (cf. Hb 1,1-2). Hoje Ele continua a se fazer 
presente em nossas vidas: sua palavra se encontra 
nas Sagradas Escrituras, na igreja, na liturgia, nas 
pessoas, nos acontecimentos. “Cristo está sempre 
presente em sua igreja, e especialmente nas ações 
litúrgicas. Está presente no sacrifício da missa, 
tanto na pessoa do ministro, pois aquele que agora 
se oferece pelo ministério sacerdotal é o ‘mesmo 
que, outrora, se ofereceu na cruz’, como sobretudo 
nas espécies eucarísticas. Ele está presente pela sua 
virtude nos sacramentos, de tal modo que, quando 
alguém batiza, é o próprio Cristo quem batiza. Está 
presente na sua palavra, pois é Ele quem fala quando 
na igreja se leem as Sagradas Escrituras. Está 
presente, por fim, quando a Igreja ora e salmodia, 
Ele que prometeu: ‘Onde dois ou três estiverem 
reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles’ 
(Mt 18,20)” (SC 7; cf. DV 4).
17. A revelação nos apresenta, desde o começo, um 
Deus que quer vida em plenitude para seus filhos. 
O Deuteronômio nos mostra, como resumo da lei 
do Senhor, o próprio Deus desejando que cada um 
seja sábio o bastante para optar pelo melhor caminho: 
“[...] escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu 
e teus descendentes, amando ao Senhor, teu Deus,
obedecendo à sua voz e apegando-te a Ele — pois 
Ele é a tua vida [...]” (Dt 30,19-20). A revelação nos 
encaminha, portanto, a uma catequese que responda 
aos anseios humanos e promova uma vida mais 
gratificante para todos, como estava desde sempre 
no desígnio de Deus.
18. pela evangelização, catequese e liturgia, essa
 palavra de Deus continua a chegar às pessoas. Essa 
comunicação da fé, hoje, segue o mesmo processo 
pelo qual Deus, no passado, se revelou. por isso, 
para compreender bem as tarefas e o conteúdo 
da catequese, é necessário aprofundar as relações 
existentes entre revelação e catequese.
2. revelação e Palavra de deus
2.1. Deus, em Jesus Cristo, revela-se como 
Pai Misericordioso
19. A constituição conciliar Dei Verbum afirma que 
nosso Deus, pai Misericordioso, quis revelar-se a 
si mesmo. Em sua bondade e sabedoria Ele nos dá 
a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9). 
“Deus, que cria e conserva todas as coisas por meio 
do Verbo, oferece à humanidade, nas coisas criadas, 
um testemunho permanente de si” (DV 3), e pelo 
Espírito Santo nós homens e mulheres podemos 
participar da sua natureza divina (cf. 2pd 1,4; DV 2). 

O Catecismo1
confirma: o ser humano pode chegar 
até Deus ouvindo a mensagem da criação, e por isso 
toda pessoa humana é capaz de Deus (cf. 27-28; rm
1,19-20). Essa condição nos é dada porque “o Deus 
invisível” (cf. Cl 1,15; 1Tm 1,17), levado por seu 
grande amor, nos fala como amigos, convidando nos 
à comunhão (cf. DV 2). O Deus da misericórdia 
sempre esteve presente na história dos povos e de 
cada consciência e assim, “nos corações dos homens 
de boa vontade, a graça podia operar de modo 
invisível” (GS 22, 5), “a fim de dar a vida eterna a 
todos aqueles que, pela perseverança na prática do 
bem, procuram a Salvação (cf. rm 2,6-7)” (DV 3).
20. O Deus, que quis revelar-se a todos através das 
maravilhas do mundo e do ser humano criado à sua 
imagem, e que vem ao encontro de todos aqueles 
que sinceramente o buscam nas diversas religiões, 
em sua misericórdia quis levar a termo a esperança 
de toda a humanidade escolhendo para si um povo, 
para revelar-se pessoalmente e acompanhá-lo em 
sua história. Assim, o Deus de Abraão, isaac e de 
Jacó fez-se Salvador para todos os povos na plenitude 
dos tempos (cf. DV 2-3; GS 22, 5). Tal revelação 
tem sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo, 
em suas obras e palavras, em sua vida, toda ela 
1
Daqui para a frente, quando neste Diretório Nacional de Catequese se citar 
apenas a palavra Catecismo, sempre se referirá ao Catecismo da Igreja Católica.

salvífica, e, principalmente, em seu mistério pascal. 
Ele nos mostra a face misericordiosa do pai e nos 
dá os meios de nos tornarmos participantes de sua 
natureza divina (cf. 2pd 1,4). Através dele, na força 
do Espírito Santo, temos acesso a Deus, nosso pai 
(cf. Jo 1,12; At 17,18; 2Cor 3,18). para se comunicar 
conosco, em sua infinita bondade, Ele se serve de 
acontecimentos e palavras intrinsecamente unidas, 
num processo progressivo e por etapas: é a pedagogia 
divina. Ele se revela inserido na vida e na 
história humana, respeitando nossas capacidades e 
modo de ser.2
21. Deus assim se revela desde os inícios a nossos pais. 
Após a queda (cf. Gn 3,15), Ele prometeu-nos a 
esperança da Salvação e ofereceu-nos sua Aliança; 
chamou Abraão para dele fazer um grande povo, por 
meio de Moisés e os profetas, ajudando este povo a 
conhecê-lo como Deus vivo e verdadeiro, pai providente
 e justo Juiz, e a esperar o Salvador prometido 
(cf. DV 3). Jesus, Verbo feito carne, plenitude da 
revelação, revela os segredos do pai, liberta-nos 
do pecado e da morte e nos garante a ressurreição 
(cf. DV 4). Em sua missão Ele usou a mesma pedagogia 
do pai; fez-se um de nós, partilhando nossas 
alegrias e sofrimentos, usando nossa linguagem 
2
Outros aspectos da pedagogia de Deus e suas 
conseqüências para a catequese 
serão vistos no capítulo quinto, 138-1

(cf. GS 22). Seus discípulos, instruídos por Ele 
mesmo e revestidos do seu Espírito em pentecostes, 
são testemunhas do mistério de sua pessoa, palavra 
de Vida que tocaram com as próprias mãos (cf. 1Jo 
1,1), e foram enviados pelo ressuscitado a todos os 
povos (cf. Mt 28,19-20) para convidá-los ao banquete 
do Amor Comunhão, tornando ­se filhos do 
pai Misericordioso, discípulos de Cristo e templos 
do Espírito Santo.
22. Essa boa notícia da Salvação (Evangelho) é para 
toda a humanidade. Jesus deu aos discípulos a missão 
de evangelizar (cf. Mc 13,10; Mt 28,18-20; lc 
4,18­19). Essa missão é fonte da verdade salvífica, de 
toda disciplina de costumes comunicando os dons 
divinos, e isso foi fielmente realizado pelos apóstolos 
(cf. DV 7). A igreja, sinal (sacramento) supremo 
de sua presença salvadora na história, transmite a 
revelação e anuncia a Salvação através do mesmo 
processo pedagógico de palavras e obras, sobretudo 
nos sacramentos. Ela está convencida de que 
sua principal tarefa é comunicar esta Boa-Nova aos 
povos: ela está a serviço da evangelização, exercendo 
o ministério da Palavra do qual faz parte a 
catequese.
2.2. A Palavra de Deus, fundamento da catequese
23. O conjunto das obras realizadas por Deus ao longo 
da História da Salvação, com as obras e mensagens

dos profetas, é revelação de Deus, que em Jesus 
Cristo, em sua vida e palavra não só alcança o mais 
elevado grau, mas se constitui no critério absoluto 
de interpretação da história salvífica anterior. “Os 
apóstolos, transmitindo aquilo que eles próprios 
receberam, exortam os fiéis a manter as tradições 
que aprenderam, seja oralmente, seja por carta (cf. 
2Ts 2,15), e a combater pela fé que se lhes transmitiu 
uma vez para sempre (cf. Jd 3)” (DV 8, 1). 
A pregação apostólica é “expressa de um modo especial 
nos livros inspirados” (DV 8).
24. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto 
é redigida sob a moção do Espírito Santo (cf. DV
9). A Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente 
aos sucessores dos apóstolos a palavra 
de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito 
Santo aos apóstolos para que, sob a luz do Espírito 
da Verdade, eles por sua pregação fielmente a conservem,
 exponham e difundam; resulta assim que 
não é através da Escritura apenas que a igreja deriva 
sua certeza a respeito de tudo o que revelado (cf. 
DV 9). “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura 
constituem um só sagrado depósito da palavra 
de Deus, confiado à Igreja” (DV 10, 1). O ofício 
de interpretar autenticamente a palavra de Deus 
escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao 
Magistério vivo da igreja, cuja autoridade, exercida 
em nome de Jesus Cristo, não está acima da 

palavra de Deus, mas a seu serviço. O Magistério, 
por mandato divino e com a assistência do Espírito 
Santo, piamente ausculta essa palavra, santamente a 
guarda e fielmente a expõe (cf. DV 10, 2). para que 
seja permanente o diálogo de Deus com a igreja, 
a Nova Aliança se expressa e se realiza de modo 
sublime na palavra da Escritura e na celebração da 
liturgia (cf. DV 8, 3). “Os bispos e os fiéis colaboram 
estreitamente na conservação, exercício e profissão 
da fé transmitida” (DV 10, 1). Não só o Magistério 
é portador da Tradição, mas todos aqueles que 
“contribuem para santamente conduzir a vida e 
fazer crescer a fé do povo de Deus” (cf. DV 8, 1). 
A compreensão do depósito da fé cresce também 
pelo sincero trabalho dos catequistas e pelo vigor 
da teologia, em união com os pastores. Assim, “pelo 
Espírito Santo a voz viva do Evangelho ressoa na 
igreja e através dela no mundo” (DV 8, 3).
25. Ao tesouro da Tradição pertence também o 
testemunho dos que ouviram e vivenciaram essa 
palavra 
transmitida de geração em geração (cf. 1Mc 12,9; 
rm 15,4; 2Tm 3,16-17). A Palavra de Deus, assim 
amplamente entendida, está presente e ressoa na 
Tradição dos santos padres, no tesouro da liturgia, 
no Magistério dos pastores, no testemunho dos 
mártires e na vida dos santos, no trabalho dos 
missionários, na religiosidade do povo, na caridade 
viva dos cristãos... (cf. DGC 95). É essa Palavra

que ilumina nossa existência e continua sendo 
o caminho da revelação de Deus para nós hoje. 
por isso, a fonte da evangelização e catequese é a 
Palavra de Deus. A igreja transmite e esclarece os 
fatos e palavras da revelação e, à sua luz, interpreta 
os sinais dos tempos e a nossa vida nos quais se 
realiza o desígnio salvífico de Deus (cf. DGC 39), 
para que “o mundo ouvindo creia, crendo espere e 
esperando ame” (DV 1 citando santo Agostinho).
26. Deus na Sagrada Escritura falou através de homens 
e mulheres, e de modo humano. A catequese tem 
como tarefa proporcionar a todos o entendimento 
claro e profundo de tudo o que Deus nos quis transmitir: 
investigar com seriedade e entender o que 
os escritores sagrados escreveram para manifestar 
o que Deus nos quer falar. É importante conhecer 
as circunstâncias, o tempo, a cultura, os modos de 
se expressar para comunicar. O mais importante 
para esse entendimento da palavra de Deus e sua 
vivência é ler a Sagrada Escritura naquele mesmo 
Espírito em que foi escrita: é o Espírito Santo quem 
ajuda a apreender com exatidão o sentido dos textos 
sagrados e seu conteúdo (cf. DV 12).
27. A catequese é um dos meios pelos quais Deus
 continua hoje a se manifestar às pessoas. Ela atualiza 
a revelação acontecida no passado. O catequista 
experimenta a palavra de Deus em sua boca, à 
medida que, servindo-se da Sagrada Escritura e dos 

ensinamentos da igreja, vivendo e testemunhando 
sua fé na comunidade e no mundo, transmite para 
seus irmãos essa experiência de Deus. “A fidelidade 
a Deus se expressa na catequese como fidelidade à 
palavra outorgada em Jesus Cristo. O catequista não 
prega a si mesmo, mas a Jesus Cristo, sendo fiel à 
palavra e à integridade de sua mensagem” (P 954). 
Ele é também um profeta, pois faz ecoar a palavra 
de Deus na comunidade, tornando-a compreensível. 
Catequese (katá-ekhein, em grego) significa ressoar; 
a igreja dá-lhe o sentido de ressoar a Palavra de 
Deus hoje (cf. CR 31).
28. A revelação é de iniciativa divina; a nós compete a 
resposta da fé, adesão livre e obediente à “Boa-Nova 
da graça de Deus” (cf. fl 2,16; 1Ts 2,8; At 15,26; 
At 20,24), com pleno assentimento da vontade e 
da inteligência. Guiados pela fé, dom do Espírito 
Santo, chegamos a contemplar e experimentar, na 
consciência, na liturgia e na vida, o Deus de amor, 
revelado em Cristo Jesus (cf. DGC 15b).
3. evangelização e catequese
29. O desafio da Igreja é a evangelização do mundo 
de hoje, mesmo em territórios onde a igreja já se 
encontra implantada há mais tempo. Nossa realidade 
pede uma nova evangelização. A catequese 
coloca-se dentro dessa perspectiva evangelizadora,

mostrando uma grande paixão pelo anúncio do 
Evangelho.
3.1. Primeiro anúncio e catequese
3.1.1. primeiro anúncio e evangelização
30. A igreja “existe para evangelizar”, isto é, para 
anunciar a Boa Notícia do reino, proclamado e 
realizado em Jesus Cristo (cf. EN 14): é sua graça 
e vocação própria. O centro do primeiro anúncio
(querigma) é a pessoa de Jesus, proclamando o 
Reino como uma nova e definitiva intervenção de 
Deus que salva com um poder superior àquele que 
utilizou na criação do mundo.3
 Essa Salvação “é o 
grande dom de Deus, libertação de tudo aquilo que 
oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do 
Maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser por Ele 
conhecido, de o ver e se entregar a Ele” (EN 9; DGC
101). Transmitindo a mensagem do reino, a catequese 
a desenvolve, aprofunda e mostra suas repercussões
 para as pessoas e para o mundo (cf. CT 25).
31. Na explicitação do primeiro anúncio querigmático, 
sublinham-se os seguintes elementos essenciais (cf. 
DGC 102):
3
“[...] o sacrifício de Cristo, nossa páscoa, na plenitude dos tempos ultrapassa 
em grandeza a criação do mundo realizada no princípio” (Missal Romano 
– Vigília Pascal, oração após a 1ª leitura; citado no DGC 101, nota 33

a) em Jesus, que anuncia a chegada do reino, Deus 
se mostra pai amoroso. Na vida e mistério pascal 
de Jesus, o pai o revela como seu único filho 
eterno, feito homem no qual o reino já está 
realmente presente;
b) a Salvação, em Jesus, consiste na acolhida e 
comunhão com Deus, como pai, no dom da 
filiação divina que gera fraternidade. É uma 
Salvação integral que começa aqui e se projeta 
na eternidade;
c) Deus, que nos criou sem nós, não quer salvar-nos 
sem nossa participação e responsabilidade (cf. 
santo Agostinho): somos chamados à conversão 
e a crer no Evangelho do reino, que é um reino 
de justiça, amor e paz, e à luz do qual seremos 
julgados;
d) o reino que se inaugura em Jesus, constituído 
Senhor por seu mistério pascal, já está presente em 
mistério aqui na terra e será levado à plena realização 
quando se manifestar na glória (cf. GS 39);
e) a igreja, comunidade dos que creem em Jesus, 
constitui o germe e o início desse reino, que, 
como fermento na massa ou pequena semente, 
torna-se imensa árvore, vai crescendo e se 
expressando na cultura dos povos, no diálogo com eles;
f) nossa vida e história não caminham para o nada, 
mas, em seus aspectos de graça e pecado, são 
assumidas por Deus para serem transformadas

no futuro glorioso no qual Deus será tudo em 
todos (cf. 1Cor 15,28; Cl 3,11; rm 9,5): essa é a 
nossa feliz esperança.
32. Além de significar o primeiro anúncio ou anúncio 
missionário com o objetivo de converter quem não é 
cristão, evangelização tem um sentido mais amplo: 
é tudo o que a igreja realiza para suscitar e alimentar 
a fé dos fiéis e para transformar o mundo à luz 
dos valores do reino de Deus (cf. GS 39, 89 e 91). 
A evangelização implica não apenas o anúncio do 
Evangelho por palavras, mas também a vida e ação 
da igreja; envolve os gestos sacramentais, dentro da 
comunidade viva que celebra o mistério do amor do 
pai em Cristo, no Espírito Santo; implica também 
a promoção da justiça e da libertação; apresenta-se 
não apenas como caminho que vai da comunidade 
cristã para o mundo, mas também como acontecimento 
no mundo, dentro do qual Deus continua sua 
obra salvífica.
3.1.2. Catequese e evangelização
33. A evangelização é uma realidade rica, complexa e 
dinâmica, que compreende momentos essenciais, 
e diferentes entre si (cf. CT 18 e 20; DGC 63): o 
primeiro momento é o anúncio de Jesus Cristo 
(querigma); a catequese, um desses “momentos 
essenciais”, é o segundo, dando-lhe continuidade. 
Sua finalidade é aprofundar e amadurecer a fé,
educando o convertido para que se incorpore à 
comunidade cristã. A catequese sempre supõe a 
primeira evangelização. por sua vez, à catequese 
segue-se o terceiro momento: a ação pastoral para os 
fiéis já iniciados na fé, no seio da comunidade cristã 
(cf. DGC 49), através da formação continuada.
4
Catequese e ação pastoral se impregnam do ardor 
missionário, visando à adesão mais plena a Jesus 
Cristo. A atividade da igreja, de modo especial a 
catequese, traduz sempre a mística missionária que 
animava os primeiros cristãos. A catequese exige 
conversão interior e contínuo retorno ao núcleo do 
Evangelho (querigma), ou seja, ao mistério de Jesus 
Cristo em sua páscoa libertadora, vivida e celebrada 
continuamente na liturgia. Sem isso, ela deixa de 
produzir os frutos desejados. Toda ação da igreja 
leva ao seguimento mais intenso de Jesus (cf. CR
64) e ao compromisso com seu projeto missionário.
3.2. Conversão, seguimento, discipulado, 
comunidade
34. O fruto da evangelização e catequese é o fazer 
discípulos: acolher a palavra, aceitar Deus na 
4
 para maior esclarecimento e aprofundamento dos conceitos de evangelização, 
catequese, ação pastoral, iniciaçãocristã, formaçãocontinuada, catecumenato
etc., pode-se consultar CNBB, Com adultos catequese adulta, Estudos da CNBB 
80, 2001, cap. iV, nn. 86-124. Sobre a “originalidade da pedagogia da fé”, cf. 
abaixo 146-14

própria vida, como dom da fé. Há certas condições 
da nossa parte, que se resumem em duas palavras 
evangélicas: conversão e seguimento. A fé é como 
uma caminhada, conduzida pelo Espírito Santo, a 
partir de uma opção de vida e uma adesão pessoal 
a Deus, através de Jesus Cristo, e ao seu projeto 
para o mundo. isso supõe também a aceitação 
intelectual, o conhecimento da mensagem de Jesus. 
O seguimento de Jesus Cristo realiza-se, porém, 
na comunidade fraterna. O discipulado, que é o 
aprofundamento do seguimento, implica renúncia 
a tudo o que se opõe ao projeto de Deus e que 
diminui a pessoa. leva à proximidade e intimidade 
com Jesus Cristo e ao compromisso com a 
comunidade e com a missão (cf. CR 64-65; AS 127c).
4. nova compreensão do ministério 
da catequese
4.1. Catequese a serviço da iniciação cristã
35. No início do cristianismo, a catequese era o período 
em que se estruturava a conversão. 
Os já evangelizados eram iniciados no mistério da Salvação 
e em um estilo evangélico de ser: experiência de 
vida cristã, ensinamento sistematizado, mudança 
de vida, crescimento na comunidade, constância 
na oração, alegre celebração da fé e engajamento 
missionário. Esse longo processo de iniciação, 

chamado catecumenato, se concluía com a imersão 
no mistério pascal através dos três grandes 
sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia. 
A catequese estava, pois, a serviço da iniciação 
cristã.
36. A situação do mundo atual levou a igreja no 
Vaticano ii a propor a restauração do catecumenato 
(cf. SC 64; CD 14; cf. AG 14). O Batismo 
de crianças, que as introduz na vida da graça, 
exige uma continuação, uma iniciação vivencial 
nos mistérios da fé (a pessoa de Jesus, a igreja, 
a liturgia, os sacramentos) através da catequese. 
Esse processo catequético possibilita também aos 
já batizados (adultos, jovens, crianças) assumir 
conscientemente a própria vida cristã. para os 
não-batizados, a catequese se apresenta como 
processo catecumenal para a vida cristã (cf. CR
65; DGC 64).
4.1.1. O significado de iniciação no processo catequético
37. A iniciação possui uma raiz antiqüíssima nas 
culturas humanas. Elas a valorizavam muito, sobretudo 
nos ritos de passagem e pertença (batismo, 
circuncisão, ablação, casamento, desafios perigosos 
etc.), com destaque para a entrada na vida adulta. 
Nossa sociedade perdeu, quase por completo, esse 
elemento cultural, permanecendo alguns resquí-

cios (festa das debutantes, rituais de acolhida em 
certos grupos, o recebimento dos calouros etc.). O 
noviciado permanece hoje com características de 
iniciação à vida religiosa. A iniciação consistia num 
processo a ser percorrido, com metas, exercícios e 
ritos. Considerada como parte da iniciação cristã 
(cf. AG 14; RICA 19), a catequese não é uma supérflua 
introdução na fé, um verniz ou um cursinho 
de admissão à igreja. É um processo exigente, um 
itinerário prolongado de preparação e compreensão 
vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé 
(mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus 
e celebrada na liturgia.
4.1.2. Exigências da iniciação à vida cristã
38. A catequese, como elemento importante da inicia-
ção à vida cristã, implica um longo processo vital 
de introdução dos cristãos ainda não plenamente 
iniciados, seja qual for a sua idade, nos diversos 
aspectos essenciais da fé cristã. Trata, de forma 
sistemática, de um todo elementar e coerente, que 
forneça base sólida para a caminhada 
“rumo à maturidade em Cristo” (cf. Ef 4,13), 
com as seguintes dimensões, interligadas entre si:
a) descoberta de si mesmo (dimensão antropoló-
gica ou tornar-se pessoa na ótica da fé);

b) experiência de Deus (dimensão afetivo-interpretativa);
c) anúncio e adesão a Jesus Cristo (dimensão cristológica);
d) vida no Espírito (dimensão pneumatológica);
e) celebração litúrgica e oração (dimensão celebrativa);
f) participação na comunidade (dimensão comunitário-participativa);
g) interação fé e vida, e serviço fraterno, de acordo 
com os valores do reino (dimensão sociotransformadora e inculturada);
h) a formulação da fé (dimensão intelectual ou 
doutrinal);
i) o diálogo com outros caminhos e tradições 
espirituais (dimensão ecumênica e de diálogo 
inter-religioso);
j) o relacionamento de cuidado com o cosmo 
(dimensão ecológica ou cósmica).
4.2. Natureza da catequese
39. A catequese é, em primeiro lugar, uma ação eclesial: 
a igreja transmite a fé que ela mesma vive, e 
o catequista é um porta-voz da comunidade e não 
de uma doutrina pessoal (cf. CR 145). Ela transmite 
o tesouro da fé (traditio) que, uma vez recebido, 
vivido e crescido no coração do catequizando, enri

quece a própria igreja (redditio).5
 Ela, ao transmitir 
a fé, gera filhos pela ação do Espírito Santo e os 
educa maternalmente (cf. DGC 78-79). A catequese 
faz parte do ministério da palavra e do profetismo 
eclesial. O catequista é um autêntico profeta, pois 
pronuncia a palavra de Deus, na força do Espírito 
Santo. fiel à pedagogia divina, a catequese ilumina 
e revela o sentido da vida.
40. A catequese possui algumas características 
fundamentais:
a) ser um aprendizado dinâmico da vida cristã, uma 
iniciação integral que favoreça o seguimento de 
Jesus Cristo;
b) fornecer uma formação de base essencial, centrada
 naquilo que constitui o núcleo da experiência 
cristã (a fé, a celebração e a vivência da páscoa 
de Jesus), lançando os fundamentos do edifício 
espiritual do cristão (cf. 1Cor 3,10-18; is 28,16; 
1pd 2,4; 2Cor 6,16);
c) possibilitar a incorporação na comunidade cristã: 
nela, a catequese vai além do ensino, põe em 
5
No catecumenato primitivo, a traditio era o rito da entrega do pai-Nosso e do 
Credo ao catecúmeno, e a redditio consistia numa espécie de avaliação, pela 
qual o catecúmeno demonstrava a assimilação do conteúdo da fé. Aqui os dois 
termos são tomados em seu sentido figurado, conforme se diz no texto; significa 
também que a igreja, transmitindo os tesouros da sua mensagem às diversas 
culturas (traditio), enriquece o próprio “depósito da fé” com novas expressões 
(redditio), ou seja, encarna-se nestas culturas (inculturação: cf. 49d, abaixo).

prática a dinâmica do encontro com Jesus Cristo 
vivo e da experiência do Evangelho, celebra e 
alimenta a fé nas celebrações e na liturgia;
d) proporcionar formação orgânica e sistemática 
da fé;
e) desenvolver o compromisso missionário, inerente 
à ação do Espírito Santo, para o estabelecimento 
do reino de Deus no coração das pessoas, em 
suas relações interpessoais e na organização da 
sociedade;
f) fomentar o diálogo com outras experiências 
eclesiais (ecumenismo), religiosas (diálogo 
inter-religioso) e com o mundo, testemunhando a 
convivência fraterna com o diferente;
g) despertar o compromisso com a ação 
sociotransformadora à luz da palavra de Deus e dos 
ensinamentos da igreja.
41. por ser educação orgânica e sistemática da fé, a 
catequese se concentra naquilo que é comum para 
o cristão, educa para a vida de comunidade, celebra 
e testemunha o compromisso com Jesus. Ela exerce, 
portanto, ao mesmo tempo, as tarefas de iniciação, 
educação e instrução (cf. DGC 68). É um processo 
de educação gradual e progressivo, respeitando os 
ritmos de crescimento de cada um.
42. A catequese possui forte dimensão antropológica.
E, por isso, ela precisa assumir as angústias 
e esperanças das pessoas, para oferecer-lhes as 

possibilidades da libertação plena trazida por Jesus 
Cristo. Nessa perspectiva, as situações históricas 
e as aspirações autenticamente humanas são parte 
indispensável do conteúdo da catequese. Elas 
devem ser interpretadas seriamente, dentro de seu 
contexto, a partir das experiências vivenciais do 
povo de israel, à luz de Cristo e na comunidade 
eclesial, na qual o Espírito de Cristo ressuscitado 
vive e opera continuamente (cf. Medellín, Cat. 6; 
CR 70, 116).
4.3. Finalidade da catequese
43. A finalidade da catequese é aprofundar o primeiro 
anúncio do Evangelho: levar o catequizando a conhecer, 
acolher, celebrar e vivenciar o mistério de 
Deus, manifestado em Jesus Cristo, que nos revela 
o pai e nos envia o Espírito Santo. Conduz à entrega 
do coração a Deus, à comunhão com a igreja, corpo 
de Cristo (cf. DGC 80-81; Catecismo 426-429), e à 
participação em sua missão.
44. A dimensão eclesial é essencial à fé cristã (cf. LG
9): cada batizado professa individualmente a fé, 
explicitada no Credo apostólico chamado “Símbolo”, 
pois manifesta a identidade de nosso compromisso 
cristão. Mas cada um recebe, professa, alimenta 
e vive essa fé na igreja e através dela. “O Creio e 
o Cremos se implicam mutuamente. Ao fundir a
sua confissão com a confissão da Igreja, o cristão

é incorporado à sua missão: ser sacramento de 
Salvação para a vida do mundo. quem proclama a 
profissão de fé assume compromissos que, não 
poucas vezes, atrairão a perseguição. 
Na história cristã, os mártires são os anunciadores 
e as testemunhas por excelência” (DGC 83).
4.4. A catequese inspirada no processo catecumenal
45. Os que recebem a catequese são chamados de 
“catequizandos”, se já receberam o Batismo, e de 
“catecúmenos”, quando se preparam para receber 
esse sacramento (cf. DGC 90, nota 60; 16, 29, 66 
etc.). para todos a catequese quer garantir uma 
formação integral, num processo em que estejam 
presentes a dimensão celebrativo-litúrgica da fé, a 
conversão para atitudes e comportamentos cristãos 
e o ensino da doutrina (cf. DGC 29, 88, 89): é a 
inspiração catecumenal que deve iluminar qualquer 
processo catequético.
46. A inspiração catecumenal, que remonta ao início 
da igreja e à época dos Santos padres, é uma ação 
gradual e se desenvolve em quatro tempos, como 
é apresentado no Ritual de Iniciação Cristã de 
Adultos (nn. 6-7: DGC 88):
a) o pré-catecumenato: é o momento do primeiro 
anúncio, em vista da conversão, quando se 
explicita o querigma (primeira evangelização)

e se estabelecem os primeiros contatos com a 
comunidade cristã (cf. RICA 9-13);
b) o catecumenato propriamente dito: é destinado 
à catequese integral, à entrega dos evangelhos, 
à prática da vida cristã, às celebrações e ao 
testemunho da fé (cf. RICA 14-20);
c) o tempo da purificação e iluminação: 
é dedicado a preparar mais intensamente o espírito e 
o coração do catecúmeno, intensificando a conversão
 e a vida interior (cf. RICA 21-26); nesta 
fase recebem o Pai­Nosso e o Credo; no final 
recebem os sacramentos da iniciação: Batismo, 
Confirmação e Eucaristia (cf. RICA 27-36);
d) o tempo da mistagogia: visa ao progresso no 
conhecimento do mistério pascal através de 
novas explanações, sobretudo da experiência 
dos sacramentos recebidos, e ao começo da 
participação integral na comunidade (cf. RICA 
37-40).
47. A formação propriamente catecumenal, conforme a 
mais antiga tradição, realiza-se através da narração 
das experiências de Deus, particularmente da 
História da Salvação mediante a catequese bíblica. A 
preparação imediata ao Batismo é feita por meio da 
catequese doutrinal, que explica o Símbolo Apostólico
 e o Pai-Nosso, com suas implicações morais. 
Esse processo é acompanhado de ritos e escrutínios

A etapa que vem depois dos sacramentos de inicia-
ção, mediante a catequese mistagógica, ajuda os 
neobatizados a impregnar-se dos sacramentos e a 
incorporar-se na comunidade (cf. DGC 89; cf. CR
222).
48. Essas etapas da tradição catecumenal pré-batismal 
inspiram também todo e qualquer tipo de catequese 
pós-batismal. porém, entre catequizandos e catecú-
menos, e entre catequese pós-batismal e catequese 
pré-batismal, existe uma diferença fundamental: 
os primeiros já foram introduzidos na igreja, 
mergulhados em Cristo por meio do Batismo. 
Sua conversão se fundamenta, portanto, nesse 
Batismo já recebido, cuja graça devem desenvolver
 (cf. RICA 295; DGC 90).
49. Diante dessa substancial diferença, é preciso ter 
presentes estes elementos do catecumenato
 batismal: eles são fonte de inspiração para a 
catequese pós-batismal (cf. DGC 91):
a) O catecumenato batismal recorda constantemente 
à igreja a importância fundamental da 
função da iniciação à vida cristã, que envolve 
“o anúncio da palavra, o acolhimento do Evangelho, 
acarretando uma conversão, a profissão 
de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo, o 
acesso à Comunhão Eucarística” (CDC 1229). A 
pastoral de iniciação cristã é vital para a igreja 
particular

b) O catecumenato batismal é responsabilidade da 
comunidade cristã. De fato, tal iniciação cristã 
deve ser obra não apenas dos catequistas e dos 
presbíteros, mas também da comunidade de fiéis 
e, sobretudo, dos padrinhos (cf. AG 14d). 
A instituição catecumenal incrementa assim, na igreja, 
a consciência da sua maternidade espiritual.
c) O catecumenato batismal é impregnado pelo 
mistério da Páscoa de Cristo. por isso, “toda 
iniciação deve ter caráter pascal” (RICA 8). A 
Vigília pascal, centro da liturgia cristã, e a espiritualidade 
batismal são inspiração para qualquer 
processo catequético.
d) O catecumenato batismal é lugar privilegiado 
de inculturação.
6
 Seguindo o exemplo da Encarnação do filho de Deus,
 que, assumindo 
nossa realidade, foi em tudo semelhante a nós, 
menos no pecado (cf. Hb 4,15), a igreja acolhe 
os catecúmenos integralmente, com os seus vínculos 
culturais, purificados à luz do Evangelho. 
A ação catequizadora participa dessa função de 
incorporar na catolicidade da igreja as autênticas 
“sementes da palavra”, disseminadas nos indiví-
duos e nos povos.
e) A concepção do catecumenato batismal, como 
processo formativo e verdadeira escola de fé,

oferece à catequese pós-batismal uma dinâmica 
e algumas notas qualificativas: a intensidade e a 
integridade da formação; o seu caráter gradual, 
com etapas definidas; a sua vinculação com ritos, 
símbolos e sinais, especialmente bíblicos e litúrgicos; 
a sua constante referência à comunidade 
eclesial. A catequese pós-batismal não precisa 
reproduzir ao pé da letra o catecumenato batismal. 
porém, reconhecendo aos catequizandos 
a sua realidade de batizados, inspira-se nessa 
“escola preparatória à vida cristã”, deixando-se 
fecundar pelos seus principais elementos.
50. A catequese não prepara simplesmente para este 
ou aquele sacramento. O sacramento é uma conseqüência
 de uma adesão à proposta do reino, 
vivida na igreja. Nosso processo de crescimento 
da fé é permanente; os sacramentos alimentam esse 
processo e têm conseqüências na vida. Diante da 
importância de assumir uma catequese de feição 
catecumenal, é necessário rever, profundamente, não 
apenas os “cursos de Batismo e de noivos” e outros 
semelhantes, mas todo o processo de catequese em 
nossa igreja, para que se pautem pelo modelo do 
catecumenato.
4.5. A comunidade: fonte, lugar e meta da catequese
51. Jesus deixou na história uma comunidade viva, a 
Igreja, para dar continuidade à sua missão salvífica.

Paulo a define como “uma carta de Cristo, redigida 
por nosso intermédio, escrita não com tinta, mas 
com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, 
mas em tábuas de carne, os corações!” (2Cor 
3,3). A comunidade eclesial conserva a memória 
de Jesus, suas palavras e gestos, particularmente 
os sacramentos, a oração, o compromisso com 
o reino, a opção pelos pobres. Nela se originam 
diferentes modelos de santidade, espiritualidade, 
transformação cristã da civilização e da cultura (cf. 
CR 57-58).
52. por isso, o lugar ou ambiente normal da catequese 
é a comunidade eclesial. Onde há uma verdadeira 
comunidade cristã, ela se torna uma fonte viva da 
catequese, pois a fé não é uma teoria, mas uma 
realidade vivida pelos membros da comunidade. 
Nesse sentido ela é o verdadeiro audiovisual da 
catequese. por outro lado, ao educar para viver a 
fé em comunidade, esta se torna, também, uma das 
metas da catequese. O verdadeiro ideal da catequese 
é desenvolver o processo da educação da fé, através 
da interação de três elementos: o catequizando, 
a caminhada da comunidade e a mensagem evangélica 
(cf. CRiV parte; cf. abaixo 155 e 185). quando não 
há comunidade, os catequistas, obviamente, ajudam 
a construí-la (cf. CR 311-316)

4.6. Tarefas da catequese
53. Em virtude de sua própria dinâmica interna, a fé 
precisa ser conhecida, celebrada, vivida e cultivada 
na oração. E como ela deve ser vivida em 
comunidade e anunciada na missão, precisa ser 
compartilhada, testemunhada e anunciada. A 
catequese tem, portanto, as seguintes tarefas (cf. 
DGC 85-87):
a) Conhecimento da fé: a catequese introduz o 
cristão no conhecimento do próprio Jesus, das 
Escrituras Sagradas, da igreja, da Tradição e das 
fórmulas da fé, particularmente do Credo Apostólico. 
E, nesse sentido, as fórmulas doutrinais
ajudam no aprofundamento do mistério cristão: 
é a dimensão doutrinal da catequese.
b) Iniciação litúrgica: para realizar a sua obra 
salvífica, Cristo está presente em sua Igreja, 
sobretudo nas ações litúrgicas (SC 7). É tarefa 
da catequese introduzir no significado e participação 
ativa, interna e externa, consciente, 
plena e frutuosa dos mistérios (sacramentos), 
celebrações, sinais, símbolos, ritos, orações e 
outras formas litúrgicas. Na catequese primitiva era
 importante essa introdução no sentido 
pleno dos sinais e símbolos litúrgicos (mistagogia). 
Além do mais, a liturgia, por sua própria 
natureza, possui uma dimensão catequética. A 

catequese deve ser realizada em harmonia com 
o ano litúrgico.7
c) Formação moral: uma tarefa importante da 
catequese é educar a consciência, atitudes, espírito 
e projeto de vida segundo Jesus.
 As bem-aventuranças e os mandamentos, lidos 
e praticados 
à luz do Evangelho, e com suas conseqüências 
éticas e morais, tanto pessoais como sociais, 
fazem parte do conteúdo essencial da educa-
ção para as atitudes cristãs, como discípulos 
e discípulas de Jesus Cristo (cf. Mt 5,3-12; Ex 
19; Dt 5,6-21; Mt 25,31-46). A formação para o 
sacramento da penitência contribui para a formação
 moral. A coerência da vida dos cristãos 
com sua fé é sinal de eficácia da evangelização. 
Somente essa coerência poderá evitar os desvios 
do materialismo, consumismo, hedonismo e relativismo, 
e superar as “estruturas geradoras de 
injustiças” e outras formas impostas a um povo 
de tradição cristã. É preciso mostrar que a religião, 
especialmente o cristianismo, é fermento 
de libertação da pessoa e de transformação da 
sociedade (cf. DGAE 193).
d) Vida de oração: cabe à catequese ensinar a 
rezar por, com e em Cristo, com os mesmos 
sentimentos e disposições com os quais Ele se 
7
Esse tema será aprofundado mais à frente, 118-122.

dirige ao pai: adoração, louvor, agradecimento, 
confiança, súplica, contemplação. O Pai-Nosso é 
o modelo acabado da oração cristã (cf. lc 11,1-4; 
Mt 6,9-13). O catecumenato, conforme o RICA, 
prevê a entrega do livro da Palavra de Deus, 
do Credo e do Pai-Nosso. A vida cristã atinge 
mais profundidade se é permeada por um clima 
de oração, que tem seu cume na liturgia. 
A catequese torna-se estéril e infrutífera se reduzida 
a um simples estudo ou mera reflexão doutrinal.
e) Vida comunitária: se a fé pode ser vivida em 
plenitude somente dentro da comunidade eclesial, 
é necessário que a catequese cuide com 
carinho dessa dimensão. Os evangelhos ensinam 
algumas atitudes importantes para a vida comunitária: 
simplicidade e humildade, solicitude 
pelos pequenos, atenção para os que erram ou se 
afastam, correção fraterna, oração em comum, 
amor fraterno, partilha de bens (cf. At 2,42-47; 
4,32-35). O ecumenismo e o diálogo inter-religioso 
também fazem parte dessa educação para 
a vivência em comunidade.
f) Testemunho: a missão do cristão é levar, à sociedade 
de hoje, a certeza de que a verdade sobre o 
ser humano só se revela plenamente no mistério 
do Verbo encarnado. O testemunho de santidade 
tornará esse anúncio plenamente digno de fé 
(DGAE 81).

g) Missão: o verdadeiro discípulo de Jesus é missionário do reino. “As comunidades eclesiais 
tenham viva consciência de que ‘aquilo que uma 
vez foi pregado pelo Senhor’ deve ser proclamado e espalhado até os confins da terra” (DGAE
25). Não há, portanto, autêntica catequese sem 
iniciação à missão, inclusive além-fronteiras, 
como parte essencial da vocação cristã.
5. educação religiosa nas escolas
5.1. Ensino Religioso Escolar distinto da 
catequese
54. Tradicionalmente a educação escolar era considerada, 
entre outras coisas, um âmbito privilegiado para 
a catequese. A sociedade evoluiu para o pluralismo 
religioso e, também, para uma generalizada secularização 
dos ambientes públicos e dos costumes. 
Nesse contexto o Ensino Religioso Escolar (ErE) 
no Brasil, reconhecido oficialmente,8
 está construindo uma epistemologia própria. A igreja reconhece 
que “a relação entre ensino religioso na escola e a 
catequese é uma relação de distinção e de complementaridade” 
(DGC 73). “Há um nexo indivisível 
8
Lei de Diretrizes e Bases, de 20 de dezembro de 1996, lei 9394/96, artigo 33, 
substituído pela lei 9.475/97 de julho de 1997 sobre o Ensino religios


e, ao mesmo tempo, uma clara distinção entre 
ensino da religião e a catequese” (CR 124-125; cf. 
DGC 76). Considerando as mais diversas variantes 
na situação dos alunos, e do seu contexto social e 
eclesial, urge proceder com realismo e prudência na 
aplicação das orientações gerais da igreja particular 
e da Conferência dos Bispos (cf. DGC 76).
55. A situação do ErE é distinta nos vários Estados: de 
caráter antropológico (cultura religiosa), ecumênico, 
inter-religioso e confessional. João paulo ii, falando 
às Conferências Episcopais da Europa, afirma 
que os alunos “têm o direito de aprender, de modo 
verdadeiro e com certeza, a religião à qual pertencem. 
Não pode ser desatendido esse seu direito a 
conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo e 
a totalidade do anúncio salvífico que Ele trouxe. O 
caráter confessional do Ensino religioso Escolar, 
realizado pela igreja segundo modos e formas estabelecidas
 em cada país, é, portanto, uma garantia 
indispensável oferecida às famílias e aos alunos 
que escolhem tal ensino” (DGC 74). As dioceses 
empenhem ­se na formação de profissionais para o 
exercício do Ensino religioso Escolar.
5.2. O testemunho dos profissionais católicos
na educação
56. Os cristãos mantenedores de escolas por causa da 
fé, ou que atuam como profissionais nas escolas,

permanecem, obviamente, com a missão de evangelizar através do testemunho, da competência 
profissional e do diálogo entre ciência e fé, como o 
propõe o documento O leigo católico, testemunha 
da fé na Escola.
9
5.3. Escola católica
57. Nas escolas católicas existe um imenso campo de 
evangelização através principalmente de seu projeto 
educativo. A escola leva os valores e o anúncio de 
Jesus Cristo, não só através de uma disciplina ou 
matéria, no caso, o ErE, mas principalmente através 
da estrutura escolar, em particular pelo testemunho 
da comunidade educativa e do projeto pedagógico, 
à medida que diretores, professores, pais e alunos
— todos os que compõem a comunidade educativa —
vivem efetivamente a fé cristã, desempenham com 
competência humana seu papel profissional e existencialmente 
assumem um projeto educativo autenticamente cristão. 
As diversas iniciativas pastorais 
no âmbito escolar, respeitando as diferentes origens 
e opções religiosas dos alunos e as orientações da 
igreja, manifestam claramente a identidade católica 
dessas escolas, e sempre em comunhão com a pastoral
 orgânica da igreja (cf. DGC 259).
9
Congregação para a Educação Católica. O leigo católico, testemunha 
da fé na escola. Brasília, s.n., 1982. (Caderno da AEC do Brasil, 16.)

58. para a escola católica, há também um nexo e ao 
mesmo tempo uma distinção entre Ensino Religioso 
Escolar e catequese. A educação religiosa possui 
sua natureza própria, diferente da catequese, proporcionando 
a educação da religiosidade dos alunos, 
o conhecimento das diversas expressões religiosas, 
sobretudo do cristianismo, preparando-os para o 
respeito ao diferente e dando uma especial atenção 
ao estudo objetivo da mensagem evangélica. 
A educação religiosa deve penetrar no âmbito da cultura e 
relacionar-se com as outras formas do saber humano. 
“Como forma original do ministério da palavra, 
o ensino religioso torna presente o Evangelho no 
processo pessoal da assimilação sistemática e crítica 
da cultura” (DGC 73). A escola católica continua 
sendo um âmbito privilegiado para esse processo 
educativo (cf. AS 133). Nela acontece o exercício 
da convivência solidária entre diferentes opções 
religiosas e, também, o exercício do ecumenismo, 
do diálogo religioso e do diálogo entre cultura e fé 
religiosa.


http://catequistabr.dominiotemporario.com/doc/Diretorio_nacional_de_catequese_84.pd