A família é a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades tem necessidade…
A família é a primeira, mas não a única e exclusiva comunidade educativa” (João Paulo II, FC ns 36 e 40).

A FAMÍLIA: é o berço da fé, o qual deve favorecer o desabrochar das dimensões da vida cristã. Santuário da Vida, lugar privilegiado para experimentar o amor, a família hoje vive as ameaças da sociedade influenciada pelo consumismo, relativismo, ateísmo, individualismo, utilitarismo, subjetivismo e hedonismo (culto ao prazer).

O que entre nós era uma realidade há umas dezenas de anos, tornou-se hoje uma preocupação, muitas vezes sem grande eco nas pessoas mais responsáveis, dado o seu papel de interventores necessários num processo importante da vida. Trata-se da missão da família cristã no processo educativo dos filhos e na transmissão e educação da fé, assumida como dever e encargo. Trata-se, ainda, de a família assumir o seu lugar, como espaço de valores morais, de oração, reconciliação, abertura a projetos de vida e a compromissos apostólicos.

Hoje, a família tem mais dificuldade em se encontrar como família, e, também, como família cristã, diminuindo, sempre mais, a sua capacidade para responder aos novos desafios que se lhe põem e para realizar as suas tarefas fundamentais. Se este processo não for contrariado, a família vai-se tornando, pouco a pouco, uma instituição frágil, desagregada e socialmente irrelevante.

A Igreja acredita no desígnio de Deus sobre a família, sabe o significado e o alcance do Sacramento do Matrimônio, conhece e defende a importância da família à vida dos seus membros, o seu papel na sociedade e a sua missão na Igreja. Considera a instituição familiar como célula fundamental da sociedade e a família cristã como uma “Igreja doméstica”. Em virtude desta fé e desta convicção, no contexto social e cultural atual, a Igreja olha a família com amor e atenção, luta pela sua defesa, empenha-se na reconstrução da sua identidade e verdade, ajuda-a a realizar, por meios diversos, as suas tarefas essenciais. Uma das tarefas da família, de importância decisiva para a sociedade e para a Igreja, é o dever irrenunciável dos pais da educação dos seus filhos em todos os aspectos e da transmissão da fé, não só no seu espaço próprio, mas até onde se pode estender a sua capacidade de intervenção.

A educação da fé, iniciada no seio da família cristã, como abertura a Deus e primeira aprendizagem de palavras e gestos religiosos significativos, são continuados, depois, nos outros espaços de vida da criança que vai crescendo: o jardim de infância, a catequese paroquial, a escola dos diversos ciclos. Para muitas crianças, adolescentes e jovens, também se faz nos movimentos e grupos apostólicos de sentido eclesial. Aí se transmitem valores morais para a vida, se proporciona ocasião para o aprofundamento da fé, a abertura ao apostolado, a opção vocacional e o serviço aos outros, dimensão normal e indispensável da vida cristã.

A Pastoral familiar quer sublinhar a importância da ligação entre família e educação da fé. Muitos pais continuam, neste campo, atentos e conscientes do seu dever de educadores principais dos seus filhos. A estes todo o apoio e que não desistam nunca, ajudando outros pais a agir de igual modo.

É preciso atenção às famílias que continuam a dizerem-se cristãs, mas que deixaram empobrecer a sua ligação a Deus e à Igreja, uma atitude que, em alguns a aspetos, acaba por atingir os seus filhos. Chegam agora à catequese crianças sem qualquer iniciação cristã, sentem-se omissões quanto ao seu acompanhamento e ao cuidado da sua formação moral e religiosa nas escolas. Catequese na Paróquia e aula de Educação Moral e Religiosa nas escolas são atos complementares, que não se substituem um ao outro.

O dia a dia de muitas famílias é hoje complexo e difícil, por razão dos horários de trabalho e do trabalho longe de casa, que proporcionam pouco tempo com os filhos; há exigências materiais, indispensáveis para ir ao encontro das necessidades familiares. Uma ordenação das prioridades, o aproveitamento dos fins de semana para a família, a participação de outros membros da família, como os avós quando estão por perto, podem ajudar na educação e transmissão da fé. Pode ser também uma ocasião para que os pais reatem a vida cristã e se integrem à vida da Igreja.

Na família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer á família de Deus. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, conserva-a, celebra-a, transmite-a e dá testemunho dela. Os pais devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável responsabilidade na formação integral de seus filhos.

A família cristã tem a missão de gerar filhos para Deus, dando-lhes uma formação espiritual integral, educando-os, formando-os e transmitindo-lhes ensinamentos baseados nos valores humanos e evangélicos. O ambiente familiar é a primeira comunidade onde os pais ensinam, desde a tenra idade de seus filhos, o reconhecimento da presença de Deus e a experiência da oração: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei ali no meio deles” (Mt 18,20).

Pastoral Familiar Paróquia Nossa Senhora do Paraíso (adaptação: Família transmissão e educação da fé – Comissão Episcopal da Educação Cristã