quinta-feira, 11 de julho de 2013

Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) (2011-2015)

Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) (2011-2015)

A missão primordial da Igreja de defender, cuidar e promover a vida em todas as suas expressões e danatureza como sua casa, tem na
Pastoral Social 
- estruturada, orgânica e integral
– a forma atual de eficácia de sua ação no social (106).O serviço à vida começa pelo respeito e a defesa da dignidade humana, em todas as etapas da existência,desde a fecundação até a morte natural (107).Um olhar especial merece a família, lugar e escola de fé, que precisa ser considerada um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora. Precisa estar respaldada por uma pastoral familiar intensa, vigorosa efrutuosa (108).
As crianças, adolescentes e jovens, os mais expostos a perigos e desleixos, precisam de maior atenção por  parte das comunidades eclesiais.
A pastoral da juventude e uma pastoral infanto-juvenil podem dar importante contribuição (109).
Atenção especial merecem os migrantes, forçados pela busca de trabalho e moradia. É urgente a criação de estruturas nacionais e diocesanas, destinadas tanto a acompanhar os migrantes, como a atuar junto a organismosda sociedade civil, para que os governos tenham uma política migratória que leve em conta os direitos das pessoasem mobilidade (111). 
No serviço à vida, cabe promover uma sociedade que respeite as legítimas diferenças,combatendo o preconceito e a discriminação nas mais diversas esferas, mas sempre vigilantes a evitar a afirmação exasperada dos interesses individuais e subjetivos (112). 
Na promoção e defesa da vida, cabe aos cristãos apoiar as iniciativas em prol da inclusão social e o reconhecimento das populações indígenas e africana. É preciso denunciar toda prática de discriminação e racismoe apoiar as reivindicações pela defesa de seus territórios, na afirmação de seus direitos, cidadania, projetos próprios de desenvolvimento e vivência, segundo suas próprias culturas(113).
Importante campo de ação da Igreja é educar para a preservação da natureza e o cuidado com a ecologiahumana, através de atitudes que respeitem a biodiversidade e de ações que zelem pelo meio ambiente(114).
Incentive-se, cada vez mais, a participação social e política dos cristãos, especialmente nos Conselhos deDireitos. Com a crise da democracia representativa, cresce a importância e a necessidade de colaboração da Igrejano fortalecimento da sociedade civil(115).
Como cidadãos-cristãos, cabe empenharmo-nos na busca de políticas públicas inclusivas de todos, em parceria com outras instituições privadas ou públicas, ou com os movimentos populares. Neste particular,merecem especial atenção as regiões suburbanas e a população carcerária(116).
Tarefa mais arrojada é a formação de pessoas que estão em níveis de decisão ou espaços que exigem uma presença mais qualificada por parte da Igreja, como o mundo universitário (pastoral universitária), dascomunicações (pastoral da comunicação), presença junto aos empresários, aos políticos, aos formadores deopinião, dirigentes de entidades, etc.
(117).O empenho da Igreja na promoção humana e da justiça social exige educar a comunidade eclesial como umtodo no conhecimento e na aplicação da
Doutrina Social da Igreja.É condição para os cristãos tornarem-se verdadeiros missionários da caridade, no seio da sociedade secular(120).
INDICAÇÕES DE OPERACIONALIZAÇÃO
Para uma ação evangelizadora eficaz, não basta definir diretrizes. É preciso chegar a“indicações programáticas concretas”, através da elaboração de planos de pastoral (121). 
Como lembra Puebla, “a ação pastoral planejada é a resposta específica, consciente e intencional, às necessidades da evangelização” (122).
O plano como fruto de um processo de planejamento.
Planejar é pensar a ação antes, durante e depois dela. Por isso, um bom plano é sempre fruto de um processo de planejamento, com a participação direta ou representativa de toda a comunidade eclesial (123).
Todo processo precisa ser preparado, começando pela sensibilização da comunidade eclesial sobre a importância da participação de todos. Na sequência, para que a comunidade seja sujeito, está a necessidade da constituição dos organismos de discernimento e tomada de decisões, como a Assembléia, o Conselho de Pastoral,as Comissões e Equipes de Coordenação (124).
A preparação do processo implica, também, a definição conjunta dos passos metodológicos, que devem levar em conta o estatuto da ação (125).
Passos metodológicos Primeiro passo: onde estamos (marco da realidade) 
O melhor ponto de partida é sempre aquele onde a gente está. Trata-se de colocar os pés no chão. Se ignorarmos a realidade, não evangelizamos. As boas respostas pastorais dependem da identificação das verdadeiras necessidades de evangelização. 
No âmbito da sociedade, é importante conhecer a situação cultural, econômica, política e ecológica. No âmbito religioso
, é preciso ter dados da situação da experiência religiosa e da caminhada da comunidade eclesial(127). Nas atuais DGAE, o marco da realidade está em “marcas de nosso tempo” (17-24).
Segundo passo: onde precisamos estar (marco doutrinal) 
 Na ação evangelizadora, o ponto de chegada está em olhar para o horizonte do Evangelho do Reino deDeus, inaugurado e mostrado por Jesus (128). De acordo com a tradição recente das DGAE, a vida e a missão dodiscípulo missionário consiste no exercício de tríplice múnus, recebido no batismo:
 Ministério da Palavra, Ministério da Liturgia, Ministério da Caridade
(129).A vivência do tríplice múnus se dá
no âmbito da pessoa, no âmbito da comunidade e no âmbito da sociedade.
Terceiro passo: urgências pastorais (diagnóstico pastoral) 
Do confronto da realidade com o horizonte da fé cristã, derivam urgências pastorais
. As atuais DGAE indicam cinco, que conformam um curso de ação: para uma Igreja em estado permanente de missão, é preciso que a comunidade eclesial seja casa de um processo de iniciação cristã, alicerçado sobre a Palavra de Deus, que leva a uma Igreja comunidade de comunidades, a serviço da vida plena pra todos. Cabe a cada Igreja Local averiguar seseu próprio contexto exige somar alguma outra urgência a estas cinco, propostas em nível nacional (131). 
Nas atuais DGAE, o diagnóstico pastoral está em “urgências na ação evangelizadora” (25-72).
Quarto passo: o que queremos alcançar (projeção pastoral) 
Os resultados almejados estão registrados nos objetivos: geral e específicos.
À luz deles, cada Igreja Local procurará elaborar seus próprios objetivos específicos, dentro do plano pastoral (132).
Quinto passo: como vamos agir (critérios de ação) 
Tanto a unidade eclesial quanto a eficácia na obra evangelizadora, exigem critérios comuns de ação.Historicamente, à luz do Vaticano II, as Diretrizes Gerais assumiram seis dimensões da ação pastoral:
. dimensão comunitário-participativa
, dimensão missionária
, dimensão bíblico-catequética
, dimensão litúrgica
, dimensão ecumênica e do diálogo inter-religioso,
. dimensão sócio-transformadora
(133). Nos últimos tempos, inspiradas na
 Evangelii Nuntiandi, as Diretrizes sugeriram as quatro exigências de um processo de evangelização
serviço
diálogo
anúncio
e
testemunho da comunhão
. São dois critérios, praticamente equivalentes (134). Nas atuais DGAE, os critérios de ação estão em “indicações de operacionalização” (133-135).
Sexto passo: o que vamos fazer (programação) 
Trata-se da intervenção na realidade apreendida à luz da fé, buscando responder às urgências pastorais,segundo os Objetivos e critérios de ação estabelecidos.
É o momento da programação
. As atuais DGAE oferecem perspectivas de ação para cada uma das urgências na ação evangelizadora. À luz das pistas indicadas, cabe a cada Igreja Local definir sua própria
 Programação
, organizada em Programas (conjunto de ações afins) 
e
 Projetos (metas) (136).
Sétimo passo: a renovação das estruturas (marco organizacional) 
Mudadas as ações, é preciso igualmente mudar as estruturas que lhe dão suporte (137).
CONCLUSÃO: COMPROMISSO DE UNIDADE NA MISSÃO
 As atuais DGAE apontam para o compromisso evangelizador da Igreja no Brasil para o início da segunda década do século XXI. Manifestam, através das cinco
urgências, o caminho discernido, à luz do Espírito Santo,como resposta a este tempo de profundas transformações. Em continuidade com as orientações de toda a Igreja,elas assumem o mais profundo espírito do Concílio Vaticano II e acolhem, de modo especial, as Conclusões da Conferência de Aparecida (139).
 Elas representam um forte apelo à efetiva unidade. 
Assim,a Igreja no Brasil tornar-se-á, cada dia mais,imagem do Deus-Trindade, sinal escatológico do Reino definitivo, quando Cristo será tudo em todos no amor(140).


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